Maria das Graças Silva, 55 anos, conhecida por vender pequi e mel às margens da BR-343, em Campo Maior (PI), morreu de forma trágica na terça-feira (24/2). Ela teve o crânio esmagado e sofreu várias fraturas após ser atingida por um carro BMW desgovernado que invadiu sua barraca, em frente à sua própria casa, na localidade Morada Nova II.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o responsável pelo acidente é o advogado Kamayo Aguiar Veloso Petit, que seguiu no sentido Campo Maior–Teresina quando perdeu o controle da direção, cruzou a pista, invadiu a contramão e caiu em cheio no ponto de venda da vítima. Maria das Graças foi atingida contra a estrutura do local, não resistiu aos ferimentos e morreu na hora.
Um homem conhecido como Berto amigo próximo foi atingido, teve uma perna quebrada e uma motocicleta destruída. O motorista do carro, segundo a PRF, foi realizado o teste do bafômetro, mas não havia consumido álcool. O laudo preliminar aponta ocorrência tardia ou ineficaz do condutor como causa provável do acidente.
Imagens feitas por populares mostram o momento de tensão após o atropelamento. Revoltados, moradores desejavam linchar o advogado, que precisavam ser protegidos pela polícia até serem levados para a delegacia. O clima na comunidade era de indignação e tristeza.
Kamayo Petit foi preso em flagrante, mas liberado poucas horas depois, após pagar fiança de R$ 8.105,00 reais. O caso gerou revolta nas redes sociais, com muitos internautas questionando a rapidez da soltura e cobrando justiça para a vítima.
A família de Maria das Graças relata que ela estava trabalhando, como fazia todos os dias há 20 anos, quando foi atingida pelo acidente. “Ela era uma mulher de luta, ajudava a sustenta casa. A vida dela não pode valer tão pouco”, lamentou um dos familiares.
Nesta quarta-feira(25), O corpo de Maria foi sepultado em Campo Maior sob forte comoção. Amigos, familiares e vizinhos acompanharam o cortejo e prestaram as últimas homenagens à vendedora, que era figura conhecida e querida na região.
A BR-343, onde ocorreu o acidente, é conhecida pelo alto índice de colisões e atropelamentos. Só nos primeiros meses do ano passado, foram registrados 18 acidentes nesse trecho, segundo dados da PRF.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil do Piauí. O advogado Kamayo Petit responderá por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A família pede que o caso não caia no esquecimento e que haja justiça.
Enquanto isso, a barraca de pequi de Maria das Graças permanece destruída, se transformou em um símbolo de dor sentida por toda a comunidade. Os moradores cobram mais segurança e fiscalização nas margens da rodovia para evitar novas tragédias.
O repórter Eurico/Homem da notícia recorreu à defesa do advogado, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.



