
O coordenador do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (DENARC), delegado Samuel Silveira, detalhou nesta sexta-feira (16/10) a atuação do grupo investigado na Operação Cactus, que teve como um dos principais alvos Igor Barbosa da Silva, conhecido como “Igor Gordão”, apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) na zona Leste de Teresina.
Além de Igor, a operação também resultou na prisão da esposa dele, conhecida como “Patroa”, apontada pela investigação como uma das responsáveis pela liderança da facção na capital, e de um homem identificado pela alcunha de “Rademar”, apontado como braço-direito do grupo. Segundo o delegado, os três possuem passagens por tráfico de drogas.
“A prisão aconteceu dele, Igor Gordão, que é o líder maior, mas também da sua esposa, de alcunha Patroa, que coliderava essa facção na capital e também do seu braço-direito, o indivíduo mais conhecido por Rademar, todos eles com diversas passagens por tráfico de drogas”, relatou o delegado.
A investigação também identificou uma estrutura empresarial que, segundo a polícia, teria sido utilizada para movimentar e ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas. De acordo com Samuel Silveira, 11 empresas foram atingidas pelas medidas judiciais. Algumas seriam empresas fantasmas, enquanto outras apresentavam funcionamento aparentemente regular.
“Além disso, 11 empresas, pessoas jurídicas, algumas delas com funcionamento fictício, ou seja, empresas fantasmas, outras com pretenso funcionamento regular, mas com utilização para lavagem de dinheiro do tráfico”, ressaltou.
Ligação com empresários de Mato Grosso
As investigações apontaram ainda uma conexão entre o grupo que atuava no Piauí e empresários de Cuiabá, em Mato Grosso. Segundo o DENARC, três empresários foram presos no estado durante a operação.
Conforme o delegado, os empresários já haviam respondido por tráfico de drogas em Mato Grosso e são investigados por participar também da lavagem dos valores relacionados à atividade criminosa. A apuração identificou uma ligação direta entre eles e Igor Gordão.
“Presos em outros estados, particularmente no Mato Grosso, três empresários lá foram presos, que tinham relação com o tráfico de drogas, inclusive já responderam por tráfico de drogas lá naquele Estado, e que além de fazer o tráfico em si, lavavam o dinheiro desse dessa facção criminosa. Era um link direto que existia aí entre a figura do Igor Gordão e esses empresários lá no Mato Grosso”, finalizou.
Milhões bloqueados
A Operação Cactus cumpriu mandados no Piauí, Maranhão e Mato Grosso. Ao todo, 10 pessoas foram presas e 21 mandados de busca foram cumpridos. Durante as ações, foram apreendidas cinco armas de fogo e drogas.
As medidas patrimoniais determinadas pela Justiça também resultaram no bloqueio de aproximadamente R$ 134 milhões em contas, além do sequestro de 62 veículos e de um apartamento. As atividades de 11 empresas investigadas foram suspensas.
A operação tem como objetivo atingir não apenas a estrutura responsável pelo tráfico de drogas, mas também o mecanismo financeiro utilizado pelo grupo para movimentar e ocultar os recursos obtidos com as atividades criminosas.
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